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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Angústia

Há uma estranha beleza na noite ! Há uma estranha beleza !
Oh, a transcendente poesia
que verso algum traduz...

A via-láctea, inteiramente acesa
parece a fotografia
de um tufão de luz !

- Quem seria,
quem seria
que pregou lá no céu aquela imensa cruz?

Que infinita serenidade...
Que infinita serenidade misteriosa
nesse infinito azul dos céus e em tudo mais:
nos telhados, nas ruas, na cidade...

( Só os gatos gritam na noite silenciosa
sensualíssimos ais !)

Meu Deus, que noite calma... E aquela trepadeira
feminina e ligeira
veio abrir bem na minha janela
uma flor - como uma boca rubra e bela
que não terei...

- E ainda sinto nos lábios um travo nauseante
do amor que faz bem pouco, há apenas um instante,
paguei...

E o céu azul assim... E essa serenidade!
Silêncio- A noite, o luar ... Tão claro o luar lá fora...
Juraria que há alguém, não sei onde que chora...

Oh, a angústia invencível que me prostra
invade
e me devorar ...

(Poema de JG de Araujo Jorge, Cânticos – 1949)

José Guilherme de Araújo Jorge (1914-1987) ou simplesmente  J. G. de Araújo Jorge  foi o mais popular poeta do Brasil. Seus versos multiplicam-se pelos cadernos de poesia dos jovens; foram declamados em festas e recitais; difundidos em programas radiofônicos, jornais e revistas de todo o país, e, principalmente, estão na memória e no coração do povo. Ou deveria está!!!
Castro. Alves e Augusto dos Anjos conseguiram no Brasil popularidade igual à conquistada por esse grande poeta. Que maior glória pode aspirar um Poeta?

Ele próprio já confessou, numa trovinha:
Minha maior alegria
minha glória humilde e nua
é ver a minha poesia
fazer ciranda na rua

As informações aqui  exposta foram compiladas dos livros "Concerto a 4 Mãos"  2° edição, página 173, e "Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou" volume II, 1° edição 1966, página 352.