segunda-feira, 4 de julho de 2016

Amizade segundo Fernando Pessoa


Meus amigos são assim:
metade loucura, outra metade santidade.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila,
que tem que ter brilho questionador e 
tonalidade inquietante. Escolho meus amigos
pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, 
quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. 
Meus amigos são todos assim: 
Metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. 
Quero amigos sérios, daqueles que fazem 
da realidade sua fonte de apredizagem,
mas, lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero  amigos adultos, nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam
o valor do vento no rosto, e velhos,
para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou,
pois, vendo-os loucos e santos,
bobos e sérios, crianças e velhos, 
nunca me esquecerei de que 
a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.
Fernando Pessoa

Para você que assim como eu sabe 
reconhecer o valor da verdadeira amizade.



segunda-feira, 11 de novembro de 2013

De volta pra casa...

Dois anos se passaram desde minha última postagem. Pensando em retomar, eu vi, que tenho bons motivos para isso. Primeiro: acreditei que não mais retornaria, e aqui estou eu. Com minhas limitações é claro, mas, quem não as tem; Segundo: mantendo meu propósito e objetivo que é comentar sobre livros e leituras. Descobri que além do meu amigo Marcos Monjardim autor de "Peregrino" tenho outros amigos escritores e poetas que vale a pena comentar sobre suas obras. Há pouco eu comentava com um amigo, que escrever é como viajar, mais que um prazer é uma necessidade. Eu preciso disso. E estarei de volta pra casa... Se Deus assim o permitir. Beijos a todos que mesmo sem postagens recentes continuaram me visitando. Obrigada!!! 

domingo, 16 de outubro de 2011

Envelhecer

Já faz algum tempo depois de minha última postagem. Mas, estar aqui hoje tem um signicado especial.
Significa que estou viva e assim pretendo continuar ainda por muito tempo. E para comemorar escrevi algumas palavras, provavelmente já escritas por outras pessoas, mas, dentro de cada contexto com outros significados. Em 15 de Outubro de 2011 escrevo  em minha homenagem...

Envelhecer

Enquanto envelheço...
Torno-me mais amável comigo mesma,
E menos crítica dos meus afazeres.
Não me censuro se resolvo ficar lendo...
Ou jogando no computador até altas horas...
E para variar durmo até o meio-dia.
Digo aos ventos o quanto me tornei minha própria amiga...
E o quanto estou feliz por isso...
Por fazer de mim mesma, minha própria opção.
E não me censuro por querer comer isso ou aquilo,
Eu tenho direito de ser desarrumada, de ser extravagante.
Ou por vezes parecer meio desleixada...
Ser velha me dá o direito de fazer minha própria moda...
Ou de exibir meu próprio estilo.
Enquanto envelheço contabilizo minhas perdas...
Subtraindo dos meus ganhos...
Ganhos cuja soma só aumenta a cada dia.
Sei que não sou perfeita...
Quem é?
Sou abençoada por ter vivido o suficiente...
Para ter os meus cabelos grisalhos,
Para ter os risos da juventude presente nas minhas lembranças.
E poder me orgulhar de cada sulco...
Que se aprofunda em meu rosto...
Pois, eles me lembram do caminho percorrido...
Das tristezas, das angústias e das muitas alegrias.
Alegrias de saber envelhecer.
De agradecer todos os dias...
Pela família, pelos parentes e amigos
Por cada uma ou cada um...
Que me acolheu com seu carinho...
Com amizade e até mesmo com críticas..
Críticas que me ajudaram a re-pensar o meu fazer.
Se hoje sou o meu melhor...
Foi porque recebi contribuições...
Para re-significar minhas qualidades e...
Superar os meus defeitos.
Sou grata por tudo que conquistei e...
Pelo muito que ainda espero conquistar.
Não lamento pelos erros cometidos...
Porque eles me mostraram novos caminhos.
Prefiro lembrar-me dos erros cometidos... 
Que daqueles que deixei de cometer.
Sou humana, sou imperfeita...
Vivo a alegria de puder...
Envelhecer. 


 Para todas e todos que me acolheram com seu carinho nesta data...
Meus sinceros agradecimentos.
E para os meus pares eu só tenho a dizer...
Viva nós, que podemos nos orgulhar de ter chegado até aqui!
E poder olhar pra frente sem vergonha do que ficou para trás.

Abraços e muita luz!!!

sábado, 6 de agosto de 2011

Marcha das Margaridas 2011


Hoje eu venho aqui para falar de livros, não dos livros de papel ou da forma mais moderna o E-book.  Mas, dos livros da vida, das leituras cotidianas da vida de cada ser humano, que habita nosso planeta, nosso continente, nosso país, nossa cidade e quem sabe o nosso bairro, a nossa rua ou a nossa casa. Entretanto, peço licença para fazer um recorte e falar dos livros das mulheres. Mulheres que escreveram os livros de suas vidas, com muitas lutas e na maioria das vezes, com poucas conquistas. Mulheres que trabalharam toda sua vida, e que ao final desta, não tinham um prato de alimento ou um teto para se abrigar. Qualidade de vida, saúde, educação, isso foi privilégio de poucas. E ainda é!  O que dizer de milhares de vovós, que escreveram suas histórias de vidas, na luta pela sobrevivência, de si e de seus filhos. E hoje uma grande maioria, ainda luta pela sobrevivência dos seus netos.  Porém, poucas tiveram a clareza e consciência dos seus direitos, ou exigiram a ocupação do seu espaço. Mas, as leituras desses livros nos mostra que isso tem mudado gradativamente na história.

A luta das Mulheres pela conquista de melhores condições de vida e valorização do seu espaço tem sido uma constante, ao longo da história. Com as mulheres brasileiras não tem sido diferente. Quando direcionamos nosso olhar para a área rural, está luta tem sido mais árdua e mais difícil e por vezes perigosa. Compartilho do desejo dessas mulheres de todas as etnias e de todas as idades, por qualidade de vida digna. E por acreditar que isso é possível, eu acompanho a delegação do RN na Marcha das Margaridas 2011, que pretende levar mil mulheres a Brasília.

E como convidada da Senhora Divina Maria¹, que mantem um trabalho com pessoas idosas em alguns municípios do RN é com humildade que ofereço o meu apoio, para essas mulheres  guerreiras, que lutam por seus Direitos e melhores oportunidades. E nesse ano, em que nos articulamos para III Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, devemos um olhar especial para as mulheres idosas que compõem este segmento e que registraram em seus livros a marca do seu sofrimento e das suas lutas.


 Meu carinho a todas as mulheres do RN que seguirão está Marcha e meu abraço especial a todas as mulheres idosas que com muita energia e disposição escreverão mais um capítulo nos livros de suas vidas.
¹ - http://fetarn.blogspot.com/2011/07/encontro-debate-preparativos-da-iii.html
          

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Angústia

Há uma estranha beleza na noite ! Há uma estranha beleza !
Oh, a transcendente poesia
que verso algum traduz...

A via-láctea, inteiramente acesa
parece a fotografia
de um tufão de luz !

- Quem seria,
quem seria
que pregou lá no céu aquela imensa cruz?

Que infinita serenidade...
Que infinita serenidade misteriosa
nesse infinito azul dos céus e em tudo mais:
nos telhados, nas ruas, na cidade...

( Só os gatos gritam na noite silenciosa
sensualíssimos ais !)

Meu Deus, que noite calma... E aquela trepadeira
feminina e ligeira
veio abrir bem na minha janela
uma flor - como uma boca rubra e bela
que não terei...

- E ainda sinto nos lábios um travo nauseante
do amor que faz bem pouco, há apenas um instante,
paguei...

E o céu azul assim... E essa serenidade!
Silêncio- A noite, o luar ... Tão claro o luar lá fora...
Juraria que há alguém, não sei onde que chora...

Oh, a angústia invencível que me prostra
invade
e me devorar ...

(Poema de JG de Araujo Jorge, Cânticos – 1949)

José Guilherme de Araújo Jorge (1914-1987) ou simplesmente  J. G. de Araújo Jorge  foi o mais popular poeta do Brasil. Seus versos multiplicam-se pelos cadernos de poesia dos jovens; foram declamados em festas e recitais; difundidos em programas radiofônicos, jornais e revistas de todo o país, e, principalmente, estão na memória e no coração do povo. Ou deveria está!!!
Castro. Alves e Augusto dos Anjos conseguiram no Brasil popularidade igual à conquistada por esse grande poeta. Que maior glória pode aspirar um Poeta?

Ele próprio já confessou, numa trovinha:
Minha maior alegria
minha glória humilde e nua
é ver a minha poesia
fazer ciranda na rua

As informações aqui  exposta foram compiladas dos livros "Concerto a 4 Mãos"  2° edição, página 173, e "Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou" volume II, 1° edição 1966, página 352.